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O gene gay?

                                              
           Um interessante estudo (1) foi publicado na ´Phychological Medicine´ recentemente. Analisando geneticamente centenas de irmãos homossexuais, um grupo de cientistas propõe  que certos genes ligados ao desejo masculino por outros homens seja passado pelo cromossomo X da mãe.

          Isto poderia ser uma explicação que faz muito sentido do ponto de vista evolucionário, porque ao estudar as parentes femininas dos irmãos analisados, descobriu-se que elas eram muito mais férteis do que a média da população mundial. E por que isso faz sentido do ponto de vista evolucionário?  Homens que mantêm relação sexual exclusiva como outros homens não geram filhos, ou seja, isso é algo que deveria ter sido corrigido pela seleção natural, pois esta é uma situação nada favorável para a perpetuação da espécie. Mas, e se os supostos ´genes gays´ forem uma consequência genética das mulheres muito férteis? Ou seja, estas mulheres seriam mantidas através da seleção natural, por fornecerem muitos descendentes, mas um ´efeito colateral´ seria a grande chance de gerarem filhos homens homossexuais. Desse modo, vale a pena gerar homens homossexuais, porque a grande quantidade de filhos e filhas compensaria.

          A pesquisa ainda não é conclusiva, porém abre uma teoria espetacular, a qual não deve ser ligada a  qualquer tipo de discriminação. Pessoas com olhos azuis possuem material genético diferente das pessoas com olhos castanhos, oras! E isto vale para muitas outras características físicas e emocionais de cada um. Se o homossexualismo é devido a causas genéticas, ambientais ou sociais, isso não faz diferença nenhuma. Claro que, no futuro, o preconceito pode fazer com que muitos pais optem por abortar uma gravidez caso descubram que o material genético é favorável ao homossexualismo. De qualquer forma, isso é um problema ético, o qual não deve ser usado para impedir que a verdade científica seja exposta.

Será que o homossexualismo masculino é determinado geneticamente? O mesmo pode ser extrapolado para as lésbicas?

            Nessa mesma linha de pensamento, outro estudo publicado no final do ano passado (2) também encontrou resultados parecidos e foi muito criticado por especialistas. Estudando 37 pares de gêmeos masculinos idênticos, onde cada par continha um homossexual e um heterossexual, e 10 pares de gêmeos idênticos onde ambos do par eram homossexuais, os pesquisadores norte-americanos descobriram marcadores genéticos específicos que poderiam prever a preferência sexual com uma precisão acima de 70%! Claro, o que gerou a insatisfação de outros pesquisadores é que os resultados da pesquisa não podem garantir um método de predição sexual com esse nível de confiabilidade estudando apenas um pequeno grupo de pessoas, mesmo sendo gêmeos idênticos. Os achados foram muito interessantes, mas não podem ser generalizados, segundo os críticos. Independente desse problema metodológico, essa é mais uma pesquisa que mostra claras evidências de que a orientação sexual pode estar ligada à fatores genéticos. Porém, pode ser que as causas genéticas sejam apenas parte da problemática.

             Bem, no final das contas, são apenas sugestões, hipóteses e evidências isoladas. Pode ser que o fator genético não tenha nenhuma relação ou pode ser que tenha toda a relação. Ambiente social e comportamento individual podem ser os fatores decisivos ou apenas um pequeno estímulo a mais. Mas não importa, somos todos iguais em nossas peculiaridades e todas essas questões apenas alimentam uma curiosidade científica. Se um ou outro cria drama e violência em cima desse assunto, certamente não são os homossexuais que precisem de tratamento.

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REFERÊNCIAS CIENTÍFICAS
  1.  http://journals.cambridge.org/action/displayAbstract;jsessionid=B289923D5BD6BC90B9E7B8B76E7DF0BE.journals?aid   =9625997&fileId=S0033291714002451
  2. http://www.scientificamerican.com/article/experts-cautious-about-study-predicting-gay-orientation/ 
  3. http://link.springer.com/article/10.1007/s10508-008-9381-6
  4. http://www.tandfonline.com/doi/abs/10.1080/00224499.2012.663420 
  5. http://recil.grupolusofona.pt/handle/10437/4373
  6. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/25172350