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Como um vulcão pode causar frio?

 

           Mesmo não fazendo sentido à primeira vista, erupções vulcânicas podem gerar um resfriamento no clima da região afetada. E isto não é uma pegadinha e, sim, um fato científico.

            A explicação para esse fenômeno reside na capacidade reflexiva de certas partículas liberadas pelas grandes erupções vulcânicas (1), as quais ficam dispersas na altas camadas da atmosfera e refletem grande quantidade de luz solar, impedindo que esta chegue na proximidade do solo. E enquanto parte reflete, outras apenas impedem que a luz chegue na superfície terrestre. Em ambos os casos, um significativo resfriamento ocorre no nível habitável do planeta (troposfera) (2).  E este processo de resfriamento tende a durar bastante, porque diversas partículas de sulfeto ( altamente reflexivas) são lançadas de forma dispersa e violenta da boca do vulcão, alcançando as porções mais altas da atmosfera, principalmente a estratosfera. Nesta camada, a formação de nuvens é mínima e as precipitações são muito raras. Sem água de chuva para arrastar as partículas de sulfeto, o processo de reflexão solar pode durar anos. Além disso, a estratosfera acaba aquecendo, enquanto a troposfera resfria, mudando a dinâmica das massas de ar da região atingida, ou até mesmo do globo inteiro, dependendo do tamanho da explosão vulcânica. E o ozônio, o qual fica acumulado na estratosfera nos protegendo das radiações ultravioletas, acaba sendo degrado com maior intensidade por causa do aumento de temperatura, prejudicando ainda mais o bioma na troposfera, além do resfriamento.

Monte Pinatubo durante a erupção de 1991; a enorme quantidade de partículas lançadas por essa gigantesca explosão é uma das suspeitas de ter freado o aquecimento global nos anos recentes
          E este mecanismo natural já é ideia para novas armas contra o aquecimento global. Na área de geoengenharia, pesquisadores querem testar o lançamento artificial de partículas próprias das erupções nas altas camadas atmosféricas para aliviar o aquecimento global excessivo. Aliás, 20 grandes erupções nos últimos 13 anos são a possível causa da temperatura não ter subido tanto quanto previsto na época, embora esta teoria ainda sofra desconfiança entre alguns cientistas.

       Outros casos recentes de ´invernos nucleares´ em anos recentes:

  1.  Um artigo escrito por Benjamin Franklin, em 1783, responsabilizou as cinzas vulcânicas o estranho frio do verão de 1783 da Islândia, onde a erupção do vulcão Laki tinha produzido enormes quantidades de dióxido de enxofre, resultando na morte de grande parte do gado e uma catastrófica fome que matou um quarto da população local. As temperaturas no hemisfério norte caíram em aproximadamente 1 °C no ano seguinte à erupção do Laki.
  2.  A erupção de 1815 do Monte Tambora, na Indonésia, ocasionou mudanças climáticas no estado de New York e neve em junho por todo o território de New England, fenômeno que foi apelidado de ´Ano de Verão´ de 1816.
  3. Em 1883, as explosões do Krakatoa (Krakatau) também geraram um inverno vulcânico. Os quatro anos seguintes à erupção foram mais frios, e, no verão de 1888, nevou pela primeira vez na região. Nevascas recordes foram registradas ao redor do mundo.
(1) Esses efeitos de mudança climática ainda são debatidas quanto à sua extensão ao compararmos os tamanhos das erupções. Enquanto uma grande erupção lança grandes quantidades de partículas e gases na atmosfera que podem esfriar o clima na troposfera, erupções menores podem apenas gerar gases estufas e partículas que ficam em grande parte na troposfera, gerando um aquecimento maior nesta última. Porém, essas partículas e gases como os óxidos de enxofre duram pouco tempo na atmosfera, por causa das chuvas. Existe também uma grande quantidade de dióxido de carbono sendo gerado durante os eventos de erupção, mas se somarmos todas as fontes desse gás ao longo da história industrial humana, ainda produzimos entre 60 e 100 vezes mais dele do que os vulcões.

(2) Curiosidade: Apesar da alta concentração de ozônio, partículas ionizadas e radiação ultravioleta, a estratosfera não chega a ser 100% inabitada quanto se pensava antigamente. Amostras coletadas nesta camada apresentaram diversos tipos de bactérias, as quais estavam vivendo tranquilamente ali. E o abutre de Rüppell, mesmo não vivendo ali, é visto se aventurando no início da estratosfera com certa frequência. Para voar tranquilamente tão alto, em uma camada onde as quantidades de oxigênio e pressão atmosférica são mínimas, estas aves possuem um tipo especial de hemoglobina que possuem uma afinidade extraordinária com o oxigênio, suprindo bem o corpo nos momentos de escassez respiratória.

REFERÊNCIAS CIENTÍFICAS
  1. http://earthobservatory.nasa.gov/Features/Volcano/
  2. https://volcanoes.usgs.gov/vhp/gas.html
  3. http://scied.ucar.edu/shortcontent/how-volcanoes-influence-climate
  4. http://plaza.ufl.edu/airwess/
  5. http://ete.cet.edu/gcc/?/volcanoes_teacherpage/
  6. https://www.climate.gov/news-features/climate-qa/which-emits-more-carbon-dioxide-volcanoes-or-human-activities 
  7. https://www.ipcc.ch/pdf/assessment-report/ar5/wg1/WG1AR5_Chapter08_FINAL.pdf