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Comer ovos aumenta o colesterol circulante no corpo?

      

          Esse mito tem história, tanto no meio popular, quanto no meio científico. Vários foram os anos em que a ciência culpou os ovos pelo aumento do colesterol no sangue e consequentes problemas cardíacos. Mas hoje já se sabe que tudo isso não passou de um mal entendido, o qual ainda é muito difundido entre a população.

            O ovo é um dos alimentos mais nutritivos que existe. Seja se for de pato, galinha, codorna, entre outros, todos os ovos possuem grande quantidade de proteínas de alto valor biológico, as quais contém todos os aminoácidos necessários ao corpo. A principal proteína que encontramos nele é a albumina, cuja concentração é majoritária na clara. Na gema, encontramos todos os outros nutrientes do ovo, entre minerais e vitaminas. Por causa da grande quantidade de gorduras, as vitaminas lipossolúveis são as mais presentes, incluindo especialmente a A e a D. Entre os minerais podemos destacar  o ferro, zinco, fósforo, manganês e potássio. Aliás, é o ferro o responsável pelo escurecimento da parte externa da gema depois do cozimento do ovo. Soma-se a tudo isso o fato de que os ovos são produtos muito baratos e de fácil acesso à população.

Muita gente descarta a gema por causa do medo em consumir seu colesterol; evite fazer isso, porque a gema é um dos alimentos mais nutritivos conhecidos, contendo diversas vitaminas, minerais, proteínas e lipídios saudáveis


          Além disso tudo, outra vitamina abundante na gema é a colina, a qual faz parte do complexo B e é de fundamental importância para as membranas das células, participando das transmissões nervosas do sistema nervoso. Estudos mostram que apenas 5% das mulheres depois da menopausa consomem a quantidade recomendada de colina. Entre as grávidas, onde esta vitamina é muito importante para a saúde do feto, quase 30% sofrem da sua carência. O ovo, junto com a soja, são boas fontes de colina. Essa substância também é sintetizada pelo corpo, mas se a alimentação é deficitária em matéria-prima para sua síntese, é preciso dar uma ênfase na suplementação natural a partir de certos alimentos, como os ovos.

              O mito relacionado ao colesterol do ovo surgiu quando se descobriu que a gema possui altas quantidades deste esteroide. Porém, diversos estudos já mostraram que o corpo não assimila significativamente o colesterol provindo de fontes externas. O consenso científico recente é de que as taxas de colesterol sanguínea não dependem do consumo alimentar de colesterol. Para ser mais específico ainda, o guia saudável de alimentação liberado pelo governo norte-americano esse ano ( Ref.15) dissocia o consumo de colesterol com o aumento significativo dessa substância na corrente sanguínea ou com o aumento do LDL ( ´mau colesterol´ - saiba mais sobre essa perigosa lipoproteína no artigo complementar abaixo). . Em outras palavras, a produção de colesterol é restrita ao corpo e fatores como obesidade, dieta desregulada, consumo de gorduras trans e falta de atividades físicas é que são realmente decisivos para o descontrole dos níveis normais de colesterol. Portanto, mesmo um indivíduo sendo um vegetariano agressivo, ele pode desenvolver colesterol alto dependendo da sua dieta. Além disso, diversos estudos mostram que o consumo diário de ovos aumenta o nível de  ´colesterol bom´ ( HDL). É claro que se for consumido diariamente muitos ovos ( algo acima de 5, por exemplo), a ingestão de gorduras vai ser alta, o que pode disparar problemas nas taxas de colesterol e LDL. 

Saiu um animal completo de dentro de um ovo: é preciso dizer algo a mais sobre o seu valor nutritivo?
           O colesterol advindo da alimentação, presente nas fontes animais, também estará sob diversas formas, podendo ser absorvido pelo nosso intestino em uma eficiência que varia entre 15 e 75%, dependendo da sua roupagem química. O colesterol esterificado é muito pobremente absorvido, enquanto aquele na forma livre terá uma boa absorção, onde geralmente temos uma absorção de 50% desse lipídio pelo intestino por refeição. Independente disso, o corpo diminui a produção de colesterol para compensar a absorção de qualquer quantidade da digestão alimentar, inclusive da bile ( este suco digestivo produzido pela vesícula biliar, anexada ao fígado, é composto por 0,3% de colesterol, o qual será reabsorvido pelo corpo). O fator genético também entra na equação, onde o controle total de colesterol será diferente para cada indivíduo. Um famoso exemplo é válido de ser citado ( ref.11): um homem de 88 anos que comia 25 ovos por dia sem ter os níveis de colesterol sanguíneo descontrolados, além de manter outros indicadores sanguíneos normais. Ele conseguia isso diminuindo enormemente a produção de colesterol pelo corpo e aumentando a síntese de bile.

            Concluindo, você pode, e deve, se sentir à vontade em saborear aquela omelete saborosa ou uma boa salada com ovos cozidos. Na musculação, é um alimento que não pode faltar na dieta. E pense bem: se sai um bicho inteiro de dentro do ovo, é porque o negócio é realmente nutritivo!

Artigo complementar: Produtos de origem vegetal podem ter colesterol?

REFERÊNCIAS CIENTÍFICAS
  1. http://agris.fao.org/agris-search/search.do?recordID=KR2015002850
  2.  http://www.nature.com/ejcn/journal/v68/n8/abs/ejcn2014107a.html
  3. http://link.springer.com/article/10.1007/s11745-013-3780-8
  4.  http://journals.cambridge.org/action/displayAbstract?fromPage=online&aid=10010758&fileId=S0007114515003190
  5. http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S096399691300690X
  6.  http://ajcn.nutrition.org/content/early/2013/05/15/ajcn.112.051318.short
  7.  http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0899900713002116
  8. http://www.omicsonline.org/open-access/bad-cholesterol-or-bad-science-2161-0444-1000321.pdf 
  9. http://www.mdpi.com/2072-6643/2/2/116/htm
  10. http://citeseerx.ist.psu.edu/viewdoc/summary?doi=10.1.1.334.1416
  11. http://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJM199103283241306
  12. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/7868978
  13. http://journals.cambridge.org/action/displayAbstract?fromPage=online&aid=8297185&fileId=S0007114511000237 
  14. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2782876/
  15. http://health.gov/dietaryguidelines/2015-scientific-report/PDFs/Scientific-Report-of-the-2015-Dietary-Guidelines-Advisory-Committee.pdf
  16. http://ajcn.nutrition.org/content/103/3/895.short
  17. http://pubs.rsc.org/en/content/articlelanding/2012/fo/c2fo30154g#!divAbstract
  18. https://dash.harvard.edu/handle/1/23205173
  19. http://www.mdpi.com/2072-6643/7/9/5344/htm
  20. http://www.lenus.ie/hse/bitstream/10147/599221/1/Art1.pdf